"Good cats are dead cats"

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Seja bem vindo ao meu mundo onde a fantasia é a única realidade!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Pesadelos sobre traição
ODEIO

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O soldado

Eu havia acabado de chegar da faculdade em casa, devia ser sábado porque estava de dia.
O céu estava azul claro e rodeado de nuvens brancas, de um branco que fazia o olho arder.
Abri o portão e minha sobrinha já correu na minha direção gritando que a mei (minha cachorra) estava quase caindo do telhado e minha mãe não conseguia acalmar ela.
Quando entrei na minha casa ela não era minha casa (apesar de eu sentir como se fosse). Ela parecia mais um prédio abandonado.
Possuía 5 andares, minha mãe e a mei estavam no quinto, o qual estava inacabado, com ferros, blocos, poeira espalhados e sem teto algum. Dava pra ver os telhados das outras casas (e o interessante é que eu estava mesmo no meu bairro).
Subi as escadas correndo
Cai
Levantei
Tropecei
Quando cheguei la em cima minha mãe estava tentando acalmar a mei, que ficava  correndo de um lado pro outro e latindo desesperada.
Minha mãe estava com a aparência que tinha quando eu era criança. Cabelos nos ombros e vestido florido.
Berrei "mei"
Ela me olhou nos olhos e começou a apontar pro céu. Ao mesmo tempo que era uma cachorra ela também se parecia com uma menina e minha mãe e eu podíamos entender o que ela estava querendo falar
- Esta vendo aquele pote? Eu quero ele
Olhei pro céu e vi uma nuvem em forma de pote
Se não fosse o medo dela pular pra pegar o pote e cair eu teria dado risada
- Mei não é real, é apenas uma nuvem, vem aqui pra eu te mostrar
Minha mãe ficou na beira do telhado pra caso ela tentasse pular conseguir segurar ela.
Ela veio e se aconchegou no meu colo, eu estava sentada feito índio no chão.
Apontei pra outra nuvem
- Olha aquela ali, tem forma de girafa
Bateu um vento e dissipou ela
- Vê? É só nuvem
E assim foi até ela se acalmar
De repente surgiu bem próximo de nós um soldado, e parecia apenas mais uma nuvem.
Mei começou a latir.
Minha mãe parecia hipnotizada
Ficou parada na beira da telha
Ele caminhava de um lado pro outro.
- Calma gente é apenas uma nuvem (eu disse)
Começou a ventar forte e saiu o nevoeiro
Agora eu podia ver a imagem nítida do soldado
Mei rosnava e latia ferozmente
Eu quase nao conseguia segurar ela
- Mãe sai dai
Minha mãe parecia nao ouvir
Percebi que ela estava em transe
Eu também estava agora paralisada
O soldado parou como se estivesse vendo alguém
Levou dois tiros no ombro direito e um na lateral da barriga do lado esquerdo
Ele passou a mão como se estivesse vendo sangue, mas não havia sangue (percebi que ele estava revivendo uma lembrança)
Ele foi mancando em direção a minha mãe e antes que eu pudesse fazer algo ele  jogou ela do telhado.
Se virou pra mim e veio em minha direção
A mei ficava latindo
Ouvi minha sobrinha perguntando o que estava acontecendo como se não pudesse  ver ele.
Ele veio e segurou meu pescoço
Olhava nos meus olhos com um odio horrível
- Você não devia estar aqui (foi o que ele me disse)
Acordei com minhas próprias mãos em volta do pescoço...
Hoje
Depois que o dia amanheceu e só fiquei com o tormento das lembranças do pesadelo que ficam repassando toda hora na minha cabeça. Eu fui ver a mei.
Abaixei pra fazer carinho e ela começou a me lamber nas mãos... E entao colocou as duas patinhas no meu ombro e me olhou nos olhos, ela então fez algo que me assustou, lambeu meu pescoço... Bem no local onde estava dolorido.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O quarto e eu

O cômodo não era nem grande nem pequeno, a cama era antiga e a cor estava gasta, o quarto era claro, mas eu nem reparei de onde vinha a claridade.
O piso era claro, mas estava coberto de lodo.
Eu tinha dificuldade de andar por que a água escura dava quase no meu joelho.
Parei no meio da porta de fechadura também gasta, não sei porque, mas as vezes eu a via dourada e as vezes prata. O guarda-roupa e o pequeno criado-mudo estavam revirados.
Havia no chão, flutuando no lodo, gibis, livros, e até algumas revistas que tinham pessoas felizes estampadas. As roupas em sua grande parte eram pretas, com exceção de uma azul e uma vermelha (as outras não consegui ver).
O case da guitarra estava aberto, mas não consegui ver o que tinha la.
Fiquei preocupada (e nem sei porque já que não conhecia o lugar) de que o lodo chegasse até os instrumentos e os estragassem. No entanto, por algum motivo o lodo não chegava naquele canto do quarto. Que por sinal, estava muito organizado.
Levei susto quando vi uma figura sentada na cama com o olhar perdido. Até então eu não o havia notado ali. Olhou pra mim com olhar de ódio
- Sai daqui
- Desculpa, não tive a intenção de ...
- Você deve ficar da porta pra fora
Me afastei e fiquei
Encostei a porta
Encostei os ouvidos na porta.
Então ouvi uma melodia triste saindo de la, ela falava sobre lembranças as quais queria ter e de uma em especial que teriam roubado dele
Olhei e vi que o lodo estava transbordando o quarto
Abri a porta desesperada e o quarto já não estava mais lá
Eu estava em um outro lugar
Chão de taco bem encerado
Cama de casal Colcha de retalho artesanal na cama
E uma claridade enorme vindo de la
Acordei com falta de ar
Tive a sensação de ver algo saindo correndo do meu quarto
Soube que seria mais uma noite na qual não iria dormir mais...


 Nota: Sonhei 4 vezes isso na mesma noite, na quinta vez eu decidi que não iria mais dormir.